sábado, 26 de dezembro de 2009

alguma paz



Ouço. Ainda que as horas contem
as dores nas ruas,
nos lares,
nos sonhos,
e golpeiem-me os gestos, os versos,
a fé.

Ouço,
nos sentidos seculares,
que

alguma paz sorri nos sábios
e os sabiás.

E nos meus lábios,
como fosse simples,
como fosse fácil,
roça essa voz

da canção que é tanta,
e no todo é chama
a ser por nós.

sábado, 12 de dezembro de 2009

do que vejo céu



do que vejo céu
(Dinigro Rocha e Célia de Lima)

se houve o céu
mais bonito
quando o Cristo
deixou-se vir
o céu se ouve
e ouve a mim
quando eu sei
quando acredito
o céu que eu vi

do que vejo céu
do que é luz, em si
o céu, louve
e fique em mim
pra que eu seja seu
no que acredito
-o céu que existe
e está escrito
tem seu lugar
no que resisto
no que nasceu

a estrela no céu
tem a luz do Cristo

sábado, 5 de julho de 2008

VIDA


Foto de Dario Sanches, no Flickr

VIDA
(Célia de Lima, 2003)

Intrigante esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se a saudade te entala
e o coração faz inverno,
Ela reage e te exala:
"Nenhum adeus é eterno".

Instigante esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se a noite é navalha
e as horas fustigam,
Ela te despe a couraça
em lágrimas que aliviam.

Resoluto esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se um dia te deprimes,
arcas o peito e reprimes
a vontade de viver,
Ela te olha bem fundo
e mostra os deveres do mundo
te esperando perfazer.

Irrefreável esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E quando ainda te tasca
da dimensão pequenina,
Te redime da casca
e te anima
e te anima
e te anima...

sábado, 17 de maio de 2008

Travessuras


Foto: I'm so cool!, de Emerging Birder

Travessuras
(Célia de Lima)

guardei um verso verdadeiro
da poesia de ser criança;
não o lapidei inteiro:
nele ainda dançam
palavras de brinquedo
que só em criança se sonha,
que só se brinca a sério.

02 de maio

.. ando.



...ando
(Célia de Lima)

Desorienta
não tanto a voz confusa
à vez da ausência;
mas essa insistência
no encalço de outro dia

- não sustenta,
não alivia,
não atormenta à ousadia.
Desalimenta.

(De fim,
ando
vazia...)

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Vôo

(Célia de Lima)

Eu posso estar à mercê
do mundo em que me vejo.
Sujeita aos oásis e às secas,
ao que prezo e ao que me recuso.
Mas quando fecho os olhos
e me pressinto,
sou mais verdade,
mais o que sinto.
É como voar.
É como viajar sem liames em mim.
É como voar de mim
pra dentro do sem-fim.
Porque tenho verdades
que construí do todo,
não sou prisioneira-
sou caminheira de muitos aléns.
Não faço pactos com a morte,
nem brinco com a vida.
Nem desafio ninguém.
O tempo é o meu mensageiro,
é quem me traz notícias de mim,
do que me faço,
do que faço sentir.
E quando fecho os olhos
e me pressinto,
sou liberdade,
sou o que sinto.

(Cps, 2003)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Por tantas razões

(Célia de Lima)

Se as águas que fazem canção
já não têm nota cristalina,
que melodia triste aquela
que inunda a face da menina!
É denso o vento, turvo o dia,
e o teto, em telhas, vai ao chão...
Por tantas razões desbarranca
uma enxurrada de ilusão!
Na correnteza vão seus sonhos,
e algum bem que de bem se fez...
Que pobres motivos os levam,
e a risos, paz, vidas talvez...


(dezembro de 2006...
sobre as inundações em Minas Gerais)

sábado, 5 de abril de 2008

Sem compromisso

(Célia de Lima)

faz-me falta
o risco
sem compromisso
e adorno.

rabisco rabisco

e o canto do olho
insistindo o sentido
é o próprio cisco
em que me recolho.

amanhã, quem sabe
dessignifico.

amanhã, quem sabe
um risco novo.

sábado, 29 de março de 2008

Caminhos


(Célia de Lima)

Pelas veredas eu sigo sozinho
-sozinhos vão muitos de nós,
companheiros no breve caminho
dos que pensam ir a sós.
As veredas são escaninhos
dos que tentam soltar os nós...
mergulhar no próprio ninho,
descobrir o passarinho,
emergir na própria voz.

2003

quarta-feira, 26 de março de 2008

Disfarce

(Célia de Lima)

Expulsa à intenção das artérias,
a vida já vibra nas cordas...
grita muda,
ávida de ar.
...Num ápice, arromba o céu
e, disfarçada de poesia,
voa.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Trilha de Vida

(Célia de Lima)

Caminhos...
de tantos em outros
ainda não idos...

...vão surgindo pela chuva fina:
são os de terra em montanha,
esterco e eucalipto.

Caminhos
que abrem rios e as cachoeiras
... águas de Minas...

É tanta a terra com ares de paraíso
em que doura o sol
e brincam novilhos..

É tanta terra calejando os pés
da gente que vai
inventando o sentido...

Caminhos de Minas...
de tantos
e outros bem-vindos.

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(Interior de Minas... Dezembro de 2006)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pássaros

(Célia de Lima)

Eu os vejo
alados e mensageiros...
Pássaros de outra esfera
transpondo o canto
em sutileza de ave.

Eu os sei
ávidos de poesia
de verdade
e vida
modelados a lado
e a gosto
dos vivos.
Quase deuses de si
quase autônomos
e imaginários.

(fevereiro de 2007)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Habituária

(Célia de Lima)

dentro do peito
explode, afeito,
(refém e aflito),
o mais bonito;

dentro do peito
tudo é bem dito.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Anelo

ah...
de ar.

na paz de respirar
sem amarras.

todo um verso de amar
e ser amada.

(Célia de Lima)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A poesia

(Célia de Lima)

o que não conta agora
é a palavra;
quando se apanha estrelas,
os olhos contam de sonhos
até outro dia.

a paz ainda
(e) em êxtase,
vai expirar o cansaço
e ficar quietinha
em seus braços.

um verso
respirando
a poesia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

essa paz

(Célia de Lima)

não há por esses campos,
um centímetro de sonho
que não seja amor.
e essa paz em que me encontro
é fortaleza
para pisar a minha terra
e entendê-la
quando eu me for.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Qualquer sorriso

(Célia de Lima)

Pelos meus tantos caminhos tortos
vou, sem palavras de ordem

atento ao que me permanece

e o que não me enternece
não me soa
nem sua.

A minha paz é simples
e qualquer sorriso é Seu,
Deus.

domingo, 4 de novembro de 2007

Chove

(Célia de Lima)

quanto gesta
de vida
lave
chuva
que alague
rima
que resta

sábado, 20 de outubro de 2007

Preciso

(Célia de Lima)

Porque é preciso
subir até o topo
do próprio mundo
e, em voz que for,
gritar alguma vez.

Porque é preciso
arrancar estrelas
do mar mais profundo,
e enfeitar com elas
o teto
do quanto
ainda se tem de alma,
de canto,
de amor.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Até o verso



(Célia de Lima)

ainda é onde me traduzo melhor
onde os nós não se escondem
facilmente
os prós e contras de ser
me encontram
e o resto da conta
mundo-eu
dá até o verso