sábado, 5 de julho de 2008

VIDA


Foto de Dario Sanches, no Flickr

VIDA
(Célia de Lima, 2003)

Intrigante esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se a saudade te entala
e o coração faz inverno,
Ela reage e te exala:
"Nenhum adeus é eterno".

Instigante esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se a noite é navalha
e as horas fustigam,
Ela te despe a couraça
em lágrimas que aliviam.

Resoluto esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E se um dia te deprimes,
arcas o peito e reprimes
a vontade de viver,
Ela te olha bem fundo
e mostra os deveres do mundo
te esperando perfazer.

Irrefreável esse compasso da Vida
-Ela não pára.
E quando ainda te tasca
da dimensão pequenina,
Te redime da casca
e te anima
e te anima
e te anima...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sem juízo



Sem Juízo
(Célia de Lima)

Vou ficar por aqui, sob essa chuva
Em que a poesia me desacoberta.
Não quero capa, não me dêem luva...
Que seja a chuva a gota que me resta!

Vou deixar que neve o sonho que abusa
Do chão de nuvens, sem juízo ou pressa.
Para deslizar como quem flutua...
-Como quem ama, sem medida certa!

Vou enxaguar o coração na lira
Que pelos ventos, só, me desconserta!
Vou ser poesia, navegando a rua!

Incorporá-la a me perder de vista!

(Vou ficar por aqui, sob essa chuva.
Nutrindo o verso que me torna terra.)

sábado, 17 de maio de 2008

Travessuras


Foto: I'm so cool!, de Emerging Birder

Travessuras
(Célia de Lima)

guardei um verso verdadeiro
da poesia de ser criança;
não o lapidei inteiro:
nele ainda dançam
palavras de brinquedo
que só em criança se sonha,
que só se brinca a sério.

02 de maio